Eu podia estar roubando...

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TPK: Quando o pior acontece PDF Imprimir E-mail
Escrito por Tchelo   
Seg, 09 de Março de 2009 21:34

altPra quem não conhece a sigla, TPK significa "Total Party Kill", que em português seria algo como "Morte total da Festa" (rsrsrs) "Morte total do Grupo", ou seja, quando todos os protagonistas de uma campanha ou aventura de RPG morrem na mesma cena e/ou combate. Em poucos turnos, meses e meses de desenvolvimento da história e dos personagens vão por água abaixo. Uma frustração tão grande que pode afastar uma pessoa do hobby por um bom tempo, e em casos menos dramáticos, render apelidos para mestres como "matador de grupos", entre outros.

Pessoalmente sempre tive fama de ser um mestre "apelão", daqueles que nunca permitiam um grupo evoluir e que sempre começava novas campanhas em detrimento de TPK. Exageros a parte, confesso que minhas aventuras eram "perigosas demais" e não no bom sentido. Com o passar dos anos aprendi a dosar melhor quantos monstros realmente devem habitar o grid de combate, e como adaptar as aventuras para grupos mais ou menos experientes, pensando na diversão de todos.

Claro que uma aventura onde não há perigo de morte se torna monótona rapidamente. Se os jogadores começarem a desconfiar que o mestre está facilitando muito as coisas por medo de "matar o grupo", quem morre é a diversão, não há nada mais frustrante do que participar de uma aventura onde os jogadores se sentem "imortais" pois não correm perigo nunca e os combates e desafios são sempre fáceis.

Dosar pitadas de perigo em uma aventura sem que isto custe a vida do grupo todo é mais uma arte do que ciência, e talvez discutiremos isto mais tarde, hoje vou dar algumas dicas de como usar um TPK em sua vantagem, ou ao menos minimizar seus efeitos devastadores.

"Finalmente! Sxinghorderterasd, o Dragão Vermelho! Ataquem!"

Primeiro vamos deixar algo claro, nem toda história acaba com os heróis voltando para casa vitoriosos. Existem diversos exemplos de personagens que não sobreviveram ao final de suas jornadas, mas nem por isso deixaram de ser heróis e renderam ótimas histórias. Sem precisar pesquisar muito já me lembro de "El Cid", "300", "Tróia", entre tantos outros exemplos cássicos.

Morrer de maneira triunfal ou sacrificar sua vida por um bem maior, tudo isso é muito "true" e heróico. Me recordo de uma campanha que levou os jogadores até o 16o nível, onde deviam enfrentar o terrível Selvexhorn, um great wyrm vilão fodaço da aventura. A épica batalha durou horas e pouco a pouco os heróis foram sucumbindo ao poderoso dragão, mas o dragão não estava saindo ileso, e no final sobrou apenas o monstro e o Paladino Tunis Thunderstrike. Em um vôo baixo o Dragão tentou engolir o herói, que com sua espada flamejante deu um último golpe antes de morrer nas mandíbulas da criatura. Mas o dragão também morreu com o ataque, um final grandioso para uma longa campanha.

Nestes casos, não tenha medo de um TPK. Quando os jogadores chegarem ao grand finale, é pior ter uma batalha decepcionante por sua facilidade do que um embate épico onde todos acabam mortos. Hamlet! faltou lembrar dessa peça maravilhosa que termina com um TPK absurdo!


"Goblins? Do que estão com medo!? Aaahhh!"

Um TPK logo no começo da aventura pode ser um descuido do mestre, ou um grande azar nas rolagens. De qualquer forma não muito agradável morrer antes mesmo da história começar. Nestes casos temos várias opções que mestres podem adotar para continuar sua campanha.

Abordagem No 1 - "OK pessoal, vamos fazer novas fichas"

Esta abordagem pode ser viável quando um jogador morre antes mesmo de ter qualquer tipo de vínculo com a aventura. Em sistemas onde fazer fichas é rápido pode ser uma alternativa. Em cenários "hardcore" pedir para jogadores fazerem mais de uma ficha pode resolver o problema.

Abordagem No 2  - "Vocês acordam em um templo, curandeiros estão rezando por vocês..."

Mesmo que todos os jogadores estejam com pvs negativos, isto não significa que o jogo deve terminar. Uma sugestão é ter curandeiros perambulando pela floresta que ouviram os sons de batalha e foram investigar. As vezes um TPK é também uma ótima maneira de conhecer um novo NPC fodão, meu caso favorito é no "Guerra nas Estrelas", quando Luke é derrubado por um nômade da tribo do "Povo da Areia" e fica desacordado (PV negativo?), para ser resgatado por um velho sábio chamado Obi Wan Kenobi, que começa a ensinar sobre a Força.

"Os Espectres mesmo em vantagem numérica parecem estar errando os ataques, na adrenalina você está mais rápido!"

Essa talvez seja uma dica mais controversa, mas se você é adepto dos escudos do mestre, que tal rolar alguns ataques inimigos por trás da cartolina e invente alguns números. Para ser mais claro: roube. Não deixe os jogadores saberem que você está roubando...isto pode tirar a graça do jogo

Eu particularmente não uso este método, sempre rolo os dados abertamente, sinto que meu grupo prefere ser tratado assim, mesmo que isso renda algumas mortes que eu poderia evitar dando uma roubadinha, mas ainda é uma opção válida.

"E por último..."

 A morte não precisa ser o fim de uma aventura, que tal fazer os jogadores acordarem um Shadowfell após perderem uma batalha? A alma deles pode ter sido desviada do percurso por uma entidade maligna, talvez Orcus. Uma aventura totalmente nova poderia surgir, onde eles devem fugir de uma fortaleza de almas no plano da morte para conseguirem ser ressucitados pelo sumo-sacerdote. Um DM criativo pode tirar proveito dos TPKs e deixarem a experiência virar a campanha para um rumo interessante! Que tal jogadores virando mortos-vivos? Almas penadas? Ou tudo pode ter ocorrido em uma realidade alternativa como num sonho....etc etc etc... como disse alguém há muito tempo atrás: O SHOW DEVE CONTINUAR!

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Comentarios (10)Add Comment
...
escrito por Bonato, March 10, 2009
Sabe aqueles assuntos que a gente evita quando está conversando, pra não gerar sentimentos de mágoa ou raiva? Então, TPK é um desses assuntos. O último TPK que eu joguei foi uma aventura level 1, eu era um ranger, o mestre Tchelão dividiu o grupo em dois (uma parede caiu do teto e separou o grupo). Fiquei junto com o paladino e o rogue, do outro lado, uma wizard e uma warlock. Nós enfrentamos quatro besouros de fogo, e cada um deles entrou em combate metendo um ataque de área que dava 2d6 3... ou seja... nós COMEMOS 8d6 12 cada um (level 1) e ainda era recarregável. conseguimos matar 2 dos 4 besouros antes de morrer. Do outro lado, 5 zumbis enfrentaram a wizard e a warlock. A diferença é que a wizard arrebentou todo mundo com seus danos de área... e elas sobreviveram, com muita dificuldade. Merda viu, perdi meu ranger com greatbow!
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...
escrito por Maíra, March 12, 2009
A gente já começou tudo de novo, só que sem itens, armas, armaduras.. inventório zerado, lembra? Foi na lendária ocasião em que você mandou vários lobos atrás da gente e, depois de muita corrida tomando mordida na bunda, morremos todos. rs. Como era começo de campanha e você tinha criado uma história super bacana, reiniciamos, mas com a penalidade de ficar sem itens. Lembro do ranger fazendo flechas toscas na floresta e de nós andando com pedaços de pau como armas. Foi massa.
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rsrsrss
escrito por Tchelo, March 12, 2009
Lembro sim Ma! Foi uma das váarias TPKs que eu tive que dar um "coritnhians" para a aventura continuar. E acaba que fica ainda mais divertido depois. Eu devia ter pensado em algo assim para aquele que vocês foram esmagados por pedregulhos que eu gigante jogava..e os Trolls...muitos Trolls (lembra dessa?)
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escrito por Maíra, March 13, 2009
ô se lembro!
É incrível como ainda não rolou um desses em Ravenloft.. rs smilies/smiley.gif
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Mr.
escrito por Daniel R, March 16, 2009
Nossa, artigo muito bom Tchelo!

Acho que só rolei um TPK uma vez em uma campanha, quando no nível 1 os aventureiros foram detonados por uns gafanhotões em um maldito encontro aleatório. smilies/cheesy.gif Mas eles nem morreram, ficaram por dias se recuperando no esquema "survivor" na floresta e voltaram ao normal! Até hoje eles falam disso como se fosse um grande feito smilies/wink.gif

Há muito tempo quando jogávamos AD&D, morremos todos pra um vampiro no seu castelo. Daí fizemos outro grupo de personagens para resgatar os cadávares dos personagens principais para serem ressuscitados em nome do templo do overgod-bondoso, foi muito massa variar na mesma campanha (de repente você poderia atualizar o post com essa opção, que acha?), mó legar.
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Eu já passei por isso
escrito por Edson Vicente Carli Junior, March 27, 2009
Eu já passei por isso duas vezes, a segunda foi quando os jogadores se mataram no PVP (Player versus Player) e ai nem foi culpa minha.
Para explicar melhor, a campanha tinha seis meses e dois grupos se encontrariam, um de jogadores novos e outro que jogava desde sempre. Os grupos se desentenderam por conta das tendências e acabou do grupo novo matando totalmente o velho (mesmo eles sendo mais low level que os antigos). Não fazia sentido continuar a campanha visto que a história terminou ali, porém...
A partir dali, peguei um dos personagens malignos do grupo vencedor e ele virou o vilão da campanha, quer alguém que os jogadores odeiem mais do que alguém que matara seus personagens antigos?

Até agora tem funcionado smilies/cheesy.gif
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Apenas para completar
escrito por Edson Vicente Carli Junior, March 27, 2009
mas isso não evitou dos jogadores refazerem fichas e mais fichas, agora todos com tendências compatíveis smilies/grin.gif
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TPK
escrito por Tsu, March 31, 2009
esses besouros de fogo tem um ataque muito forte pro level deles. Outro monstro muito perigoso é a hyena qdo está em bando. O mestre tem q tomar cuidado ao bolar os encontros. Não considerar só o budget.

Quando eu mestro e sei q a chance de morrer é alta, já peço para os jogadores fazerem dois personagems: o principal e o reserva. Pq se ele morrer no meio do jogo, ainda dá pra ele continuar.
Agora, se todo mundo morrer no encontro, paciência...tem q ver se eles q não jogaram direito, se o mestre errou a mão, ou se os dados não ajudaram.
Eu não gosto de mestre dando boiada ou facilitando o jogo. Superproteção me soa falso, gosto de conquistar minhas vitórias.
O negócio é avisar pros jogadores antes do inicio do jogo q isso pode acontecer.
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>.
escrito por Mafagafo, May 08, 2009
Na primeira aventura da minha vida aconteceu isso! >.<
Tínhamos que decifrar um enigma para sair de uma sala subterrânea. O grande Orc(não era Meio-orc, era orc mesmo) do grupo resolveu derrubar os pilares de sustentação da sala e o teto cedeu e nos enterrou!
O mestre foi dormir e a gente assistir filme, fudeu nossa noite! ;/
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Mestre "matador de grupos"
escrito por Yuri, May 14, 2009
Eu participo de um grupo de D&D 3.5 em que nós já sabemos desde o início que ele é o "matador de grupos" citado no artigo.
Em primeiro lugar, ele é da teoria: "As coisas estão lá. Se o grupo vai o problema é deles". Foi seguindo essa teoria que ele colocou 3 dragões negros adultos para um grupo de 5 nível se não me engano. Todos gritaram CORRE!!! ao mesmo tempo. Sobrevivemos, depois de sofrer algumas baforadas bem danosas, mas sobrevivemos.
Segundo, ele ADORA vilões. Então tem pelo menos o tripo de NPCs pra nos fu*** do que pra ajudar. E todos os que vêm pra ajudar são bem fracos (Inclusive tem um ex-PJ que virou NPC e antes ele era um Guerreiro/Mago normal. Agora ele é um Guerreiro/Arquimago, meio-demônio e que acabou de matar um dragão vermelho grande ancião e roubou uma parte de seu poder).
Terceiro, com ele não tem esse negócio de poupar os PJ não. Ele joga os dados na frente da galera e o VINTE!!! dele já é famoso (normalmente com um soco no ar de felicidade). Principalmente quando é com um Remorhaz que engole se tirar um 20, sem direito a teste de resistência ou confirmação.

Então ele com certeza já deu uns TPKs. O mais legal foi exatamente contra o Remorhaz citado acima, em uma aventura de AD&D, em que dois vintes naturais cuidaram de dois PJs (o meu incluso nisso aí), seu calor tirou o guerreiro da batalha (derretendo a espada dele) e o único mago do grupo morreu em dois ataques do bicho. O resto do grupo (sim, era grande) morreu por tabela. Mas ainda assim foi emocionante porque foi uma batalha longa e que quando o mago morreu, o Remorhaz já estava quase pra morrer, então foi por pouco.
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